História das Palavras Cruzadas

As sensatas, ousadas e, às vezes, cômicas tentativas de decifração do Disco de Festos.

 

Quebrando a Cabeça de Cientistas e Leigos
Mil teorias, nenhuma certeza
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      As discordâncias começam nas respostas à pergunta: que linguagem é essa? Eslava, basca, protobíblica? Finlandês, grego antigo? Também não há concordância quanto ao local de origem do disco: Anatólia (antiga Ásia Menor) e Creta são as escolhas mais freqüentes.

      O significado dos símbolos é o principal ponto de conflito:


  • Uma sofisticada cunha para a produção de outros discos com as mesmas figuras?
  • Um hino religioso ao deus da chuva?
  • Uma simples lista de soldados?
  • Um recurso didático para ensinar a ler?
  • Possivelmente, a prova de um teorema geométrico?
  • Quem sabe, uma série de padrões numéricos que expressam princípios matemáticos e que serviriam de calendário aos minóicos, antigos habitantes de Creta?
  • Ou talvez a transcrição da fala do rei sobre a construção do palácio de Festos?
  • Está esquentando ... Para ficar quente de vez, que tal esta: um poema altamente erótico destinado a despertar a sexualidade nos jovens?
  • Nada disso: por certo, trata-se do relato das atividades de Ísis e Osíris dentro da Grande Pirâmide de Quéops, no seu trabalho de conscientização do mundo por meio da Geometria sagrada.
  • Bobagem, é simplesmente uma tábua astronômica, mostrando as constelações como apareciam há quase 4000 anos.
  • Isso tudo está ultrapassado: o disco é uma demonstração da geometria euclideana; o fato de Euclides ter vivido mais de 1300 anos depois ... não é surpreendente?
      Algumas dessas teorias (as mais sérias, é claro) foram propostas por cientistas. Como eles não chegaram a um consenso, os leigos também entraram em cena e alargaram um pouco mais o campo de investigação, além de transformarem hipóteses em certezas. O fato de ser o mais antigo enigma da Humanidade serve de estímulo à curiosidade (e à ousadia) humana.
Ainda não há uma interpretação do "texto" do Disco de Festos plenamente aceita pela comunidade científica. Ele continua sendo o mais antigo enigma lingüístico não decifrado pelo ser humano, em plena era dos computadores.
      Mais de uma dezena de livros foram escritos exclusivamente sobre o disco, três deles lançados em 1999: Le Dechiffrement du Disque de Phaistos (A Decifração do Disco de Festos), de Jean Faucounau; Evidence for Hellenic Dialect in the Phaistos Disk (Evidências de um Dialeto Helênico no Disco de Festos), de Steven Fischer; e The Bronze Age Computer Disc (O Computador da Idade do Bronze), de Alan Butler, os dois últimos à venda nas livrarias virtuais. No livro "O Computador da Idade do Bronze", Alan Butler defende a tese de que, com aquele minúsculo disco, o usuário podia calcular tanto a hora do dia quanto a posição em que ele se encontrava, com a mesma precisão dos mapas e dos relógios criados alguns milênios depois.
Capa do livro de Alan Butler

Capa do livro de Alan Butler
      Há várias páginas da Web dedicadas ao tema, algumas delas contendo uma seção que apresenta as mais recentes tentativas de decifração dos símbolos do Disco de Festos. Eis os principais motivos que tornam problemática essa tarefa:
  • Os lingüistas ainda não têm um conhecimento sequer razoável do idioma empregado em Creta nos tempos minóicos, o qual teria servido de base para a escolha das figuras do Disco de Festos.

  • Há poucos exemplares dessa forma de escrita ideográfica em Creta. Sem que se possa compará-la com outros textos já decifrados, perde-se a possibilidade de realizar a referência cruzada, processo fundamental nesse tipo de estudo. A Pedra de Roseta, que permitiu a decifração dos hieróglifos, é o exemplo típico: por conter as mesmas inscrições em grego, em demótico (forma popular do idioma egípcio) e em hieróglifos, permitiu a decifração desses últimos, pela comparação dos textos.

  • O "texto" do disco é muito curto. Isso impede a aplicação de técnicas estatísticas da criptografia que levaram à decifração de outras escritas antigas.
      Em 1999, por ocasião do ducentésimo aniversário da descoberta da Pedra de Roseta (julho de 1799), foi lançado o livro Cracking Codes - The Rosetta Stone and Decipherment (Quebrando Códigos - A Pedra de Rosetta e sua Decifração), produzido pelo British Museum (Museu Britânico) e escrito por Richard Parkinson. Nele, o Disco de Festos aparece no capítulo The Future: Further Codes to Crack (O Futuro: Outros Códigos a Serem Quebrados). Eis o parágrafo reservado ao disco:
O Disco de Festos em "Cracking Codes"

O Disco de Festos em 'Cracking Codes'
      "Algumas escritas egéias provaram ser mais recalcitrantes do que a Linear B, entre elas a Linear A, a escrita pictográfica minóica e a escrita do Disco de Festos. Esse último é um disco de argila com 242 signos impressos que foram feitos por 45 matrizes diferentes. Esses 45 signos são provavelmente silábicos, mas eles permanecem indecifrados, apesar das muitas alegações em contrário. É possível que o Disco de Festos, que pode ser datado de 1700 a.C., não tenha sido produzido em Creta, onde foi encontrado, mas que tenha sido levado para lá de outro lugar."

      Por curiosidade, repare na relativa semelhança do calendário asteca, reproduzido abaixo, com o Disco de Festos. Os dois objetos estão separados mais de 2000 anos, quanto à data de criação:
O calendário asteca

Calendário asteca
      Na próxima página, leia a conclusão sobre a importância do Disco de Festos para a história das palavras cruzadas.
Referências
Cracking Codes, Richard Parkinson, University of California Press, Los Angeles, 1999
"Enciclopédia Mirador Internacional", Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda, São Paulo, 1977
Site do livro The Phaistos Disc Unravelled (já extinto)
Site pessoal de Alan Butler (já extinto)
Site Phaistos Disk Decipherment Update
Site Portal Disk (já extinto)
Site The Millennium Foundation of Canada
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Páginas iniciais: Roteiro Romanceado | História | Índice | Ancestrais | O Disco de Festos

Autor: Sérgio Barcellos Ximenes