| História das Palavras Cruzadas |
| O início da atuação feminina em cargos públicos, na Medicina e na Enfermagem. |
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Médicas, mas nem Tanto
Os prós e contra da "natureza feminina" ¾¾¾¾¾¾ |
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Mesmo as revistas femininas que "faziam o jogo" da mentalidade da época, entulhando as mulheres com histórias seriadas de moral duvidosa, artigos intelectualmente pobres, notinhas triviais e matérias com ênfase no trabalho doméstico, volta e meia abordavam criticamente a situação social da mulher. A Godey's Lady's Book (O Livro da Dama, de Godey), a mais importante do gênero em meados do século XIX, publicou em outubro de 1862 este artigo intitulado "Mulheres no Departamento de Correios", no qual revelava que 411 mulheres tinham a função de agente feminina do correio, apenas quatro delas como resultado de indicação presidencial.
Depois de mencionar os milhares de mulheres capacitadas por sua inteligência e habilidades a ocupar esses cargos, entre viúvas e jovens solteiras, a articulista completava em tom de indignação: "Há, acreditamos, em nosso território cerca de quarenta mil postos de correio, mas apenas quatrocentos deles estão atualmente nas mãos de mulheres." |
As mulheres no Correio
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| Na mesma revista, outro campo que começava a se abrir para as mulheres, a Medicina, mereceu um longo artigo, de título "A Educação Médica da Mulher". Após mencionar a abertura da décima terceira sessão anual (curso letivo) do Colégio Médico Feminino da Pensilvânia, a articulista afirmava que ..." a experiência de cada ano só tem confirmado a crença de que o estudo e a prática da Medicina são admiravelmente adaptados à natureza feminina, que o mundo e essa profissão necessitam dela, que o sucesso a espera quando convenientemente educada para essa atividade, e que sua entrada nessa digna e grande esfera de atividade virtuosa é um prenúncio de crescente felicidade e saúde para a mulher e para a raça (humana)." |
As mulheres na Medicina
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| A nova opção de trabalho, apesar de incentivada pela articulista, não representava o pleno exercício da Medicina pela mulher, como se vê atualmente: "Neste momento, quando tantas jovens de nosso país encaram a perspectiva de uma vida solitária, não deveriam elas se perguntar como podem se tornar felizes e mais úteis a seus amigos e à sociedade? Nenhuma outra profissão, exceto a de professora, oferece um campo tão amplo para os talentos e as propensões do coração e da mente femininas quanto a prática daqueles ramos da arte médica que pertencem à mulher ¾ e esses são as doenças exclusivas de seu sexo e os cuidados com as crianças." |
Médicas, mas nem tanto
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Em 1855, a revista londrina The Family Friend (O Amigo da Família) publicou um extenso artigo sobre Florence Nightingale, a inglesa que se tornou a pioneira da Enfermagem ao participar da Guerra da Criméia (1855-1856), instituindo práticas de higiene e de tratamento de doentes que seriam adotadas universalmente nas décadas seguintes.
Contrastando com o glamour das atuais produções cinematográficas de guerra, a articulista relatava a situação real dos feridos no confronto: "Em salas fechadas, impróprias para conter metade das pessoas que lá estavam, eram amontoados juntos homens fétidos de imundície e doenças, ou gemendo por causa de suas feridas medonhas. Ficavam deitados entre cadáveres que tornavam o ar pestífero. (Não havia) ninguém para comandar, nenhuma pessoa para atender, nenhum medicamento para curar. Os vivos tinham que conviver com os mortos que putrefaziam à espera do sepultamento, enquanto formalidades inúteis seguiam seu lento e insensível ciclo. Os oficiais, aturdidos, chegavam a deixar essa carga de horror, como se fosse um navio tomado pela praga, flutuando e sendo levada pela correnteza." |
As mulheres na Enfermagem
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| Depois de mencionar que muitas mulheres acompanhavam Florence no trabalho de cuidar dos doentes de guerra e de sugerir que determinadas qualidades e habilidades só são descobertas quando a pessoa tem a oportunidade de enfrentar situações em que elas são requeridas, a articulista afirmava que o exemplo de Florence mostrara que "a mulher é dotada não só do poder de sentimento para simpatizar com o sofrimento, mas também com o poder de ação para aliviá-lo. Assim, essa nobre mulher tem prestado um incalculável serviço à causa feminina." |
Um exemplo que devia ser seguido
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| A luta de Florence teve repercussão imediata na sociedade inglesa. Os recortes abaixo, escaneados de edições do Illustrated London News publicadas no segundo semestre de 1856, mostram que a criação do Fundo Nightingale para "criar uma instituição de treinamento, apoio e proteção às enfermeiras e atendentes de hospitais" tinha arrecadado quase 35.000 libras esterlinas. Houve também uma exploração popular da causa de Florence, como se deduz da leitura do segundo recorte. "Canções patrióticas" foram lançadas sob a alegação de arrecadar dinheiro para o Fundo, mas, segundo o articulista, "Inúmeras canções publicadas para 'auxílio do Fundo Nightingale' jamais beneficiaram o Fundo com um shilling sequer." |
O Fundo Nightingale
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| Outro artigo da Family Friend publicado em 1855 comentava o lançamento de uma obra de distribuição pública gratuita, fato comum naquela época quando se tratava da defesa de causas sociais. O panfleto de 16 páginas tinha por título "Notas sobre as Enfermeiras; Sugestões Práticas Endereçadas às Damas Inglesas". |
Folheto sobre as enfermeiras
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O anônimo autor expunha os benefícios que adviriam da instituição da profissão de enfermeira para as mulheres inglesas, a qual "prometia abrir um novo campo para o emprego das energias de nossas desocupadas, ou talvez mal ocupadas, mulheres, cujo estado social as coloca acima da necessidade de trabalhar para ganhar o pão de cada dia; mas a quem a opinião pública na Inglaterra tem até agora condenado a despender suas energias em trabalhos de pouca ou nenhuma utilidade."
Tratando do dia-a-dia das mulheres daquele país, o defensor da causa das enfermeiras afirmava que muitas mulheres estavam insatisfeitas com esse cotidiano devido à falta de opções interessantes. Nisso, acabou descrevendo as opções domésticas de entretenimento para o sexo feminino na época: "Estão elas destinadas a desperdiçarem suas vidas em ocupações desgastantes e improdutivas? a se entediarem durante o dia lendo um romance? a tecerem teias de Penélope feitas de lã berlinesa, representando flores pouco naturais e animais monstruosos? a desenharem canhestras paisagens e retratos repulsivos? a escreverem versos medíocres desprovidos de real poesia? a 'arranharem' o piano durante longas horas, na esperança de adquirir um ouvido para a música? a praticarem por meses, em conjunto, na expectativa de aprimorar a voz (para o canto)?" |
O cotidiano doméstico das mulheres inglesas
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| Pelo panfleto, fica-se sabendo que apenas uma ou duas instituições de enfermagem feminina haviam sido bem-sucedidas, apesar de várias tentativas já realizadas, e que elas tinham sido iniciativas de grupos protestantes. O escritor do panfleto sugeria a criação de instituições laicas para garantir o sucesso da iniciativa. |
A origem religiosa das escolas de enfermagem
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| Citando o exemplo de Florence Nightingale, o autor previa que "o cuidado médico dos doentes será adicionado à lista das conquistas femininas." E, mais adiante, finalizava: "Será nossa culpa se nossas mulheres deixarem de agarrar essa oportunidade favorável de criar para si mesmas uma nova e nobre carreira." |
A oportunidade histórica
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| Mas, assim como se dera no caso do artigo norte-americano publicado na Godey's Lady's Book, a noção de "natureza feminina", com seus traços delicados, interferia na plena luta pelos direitos. Segundo o autor, algumas atividades médicas não seriam apropriadas ao belo sexo porque "Uma mulher sensível poderia esquivar-se das aplicações sanguinárias e agoniantes da escola alopática; e sentiria uma repugnância natural em impor a um paciente relutante a poção nauseante ou o alimento repulsivo. Mesmo se ela superasse os sentimentos iniciais de repugnância a tais deveres desconfortáveis, é possível imaginar que ainda assim poderia perder algo de sua ternura e sua gentileza femininas devido à repetição freqüente (desses atos)." |
Enfermeiras, mas nem tanto
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| O recorte a seguir, escaneado de uma edição de 1908 da People's Home Journal, informa que dos mais de 37.000 professores existentes em Nova Iorque naquele ano, 33.988 eram mulheres. |
As mulheres na Educação
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| Na próxima página, veja imagens que revelam a diferença de tratamento na educação de meninos e meninas, naquela época. |
| Referências |
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Godey's Lady's Book, Sarah J. Hale (editora), Louis A. Godey, Filadélfia, Vol. LXV, outubro de 1862
The Family Friend, Ward & Lock, Londres, janeiro a dezembro de 1855 The People's Home Journal, F. M. Lupton, Nova Iorque, 1908 |
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Páginas iniciais: Roteiro Romanceado | História | Índice
| Ancestrais | A Era de Ouro do Enigmismo
Autor: Sérgio Barcellos Ximenes
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