| História das Palavras Cruzadas |
| O processo que levou à formação de mais de 1000 grupos infanto-juvenis associados à revista St. Nicholas. |
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As Crianças Tomam Conta da "St. Nicholas"
Quem mandou convidar ... ¾¾¾¾¾¾ |
| A expansão da participação das crianças e adolescentes, das colunas de jogos de palavras e de correspondência para outras seções, teve início com o artigo For the Birds (Pelos Pássaros), publicado em dezembro de 1873 pela revista St. Nicholas: For Girls and Boys (São Nicolau: Para Meninas e Meninos), lançada no mês anterior. A matéria, escrita por C. C. Haskins, descrevia a perseguição sofrida por aqueles animais nas mãos de crianças, jovens e adultos inconseqüentes, e solicitava diretamente aos leitores que lutassem para impedir esse mal. As imagens abaixo referem-se à reprodução do artigo, publicada em junho de 1875. |
O artigo "Pelos Pássaros"
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| A partir da matéria, a St. Nicholas criou o Exército dos Defensores dos Pássaros (The Army of Bird-Defenders), passando a enlistar os leitores dispostos a combater a prática e a tratar bem os pássaros. Para surpresa dos editores, "centenas e centenas" de jovens juntaram-se ao Exército, e os nomes desses novos membros passaram a ser publicados todo mês, cobrindo páginas da revista (primeira imagem, de novembro de 1874). A organização passou a ter aspectos formais, com um "quartel-general" e um general no comando que emitia ordens de natureza quase militar (segunda imagem, de junho de 1875). |
O Exército dos Defensores de Pássaros
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| Essa foi a primeira demonstração de que os jovens leitores responderiam prontamente a qualquer solicitação. Isso deve ter sugerido aos editores da St. Nicholas que seus leitores estavam ávidos de participar em empreendimentos criativos e sociais. Assim, em novembro de 1875 a revista anunciava que no mês seguinte haveria a comunicação de um prêmio-surpresa para quem resolvesse um quebra-cabeças não especificado, a ser impresso na seção de jogos intitulada The Riddle-Box (A Caixa de Adivinhações). |
Início do oferecimento de prêmios
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| A experiência deve ter sido mais uma vez bem-sucedida porque, em janeiro de 1876, a St. Nicholas anunciava a abertura de suas páginas às contribuições dos jovens leitores, que passariam a ser publicadas com o acréscimo das iniciais dos autores. |
A "St. Nicholas" abre-se aos leitores
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| A imagem a seguir, escaneada da edição de novembro de 1878, dá uma noção concreta de quantos jovens leitores enviavam as soluções dos jogos de palavras, a cada mês, bem no início do incentivo a essa participação. |
Participação na seção de jogos
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A década de 80 daquele século veria o surgimento de outra atração interativa: a Agassiz Association (Associação Agassiz), que homenageava o naturalista suíço falecido em 1873 e congregava os leitores no estudo da ciência natural, abrangendo os reinos animal e mineral.
Também nessa década, a partir de dezembro de 1883, a St. Nicholas passou a oferecer prêmios às melhores contribuições dos leitores. A primeira delas deveria ser uma ilustração relativa a um poema publicado na edição daquele mês. O primeiro prêmio, de 20 dólares, representava muito para os ganhadores: uma revista mensal era vendida por 10 ou 15 centavos de dólar, na época. |
Solicitação de contribuições
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| Pode-se atestar o grau de participação dos leitores nos anos seguintes por duas comunicações publicadas pela revista, em dezembro de 1895 e janeiro de 1896. No primeiro caso, mais de 5000 respostas a um poema-quebra-cabeças tinham sido recebidas apenas nos primeiros dez dias; no segundo, a revista informava que haviam chegado mais de 10.000 cópias corretas de um outro poema. |
Participação maciça dos leitores
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| Com o sucesso dessas iniciativas, o passo lógico seguinte seria permitir uma ampla participação das crianças e dos adolescentes na criação do conteúdo da revista. Isso aconteceu a partir da formação da St. Nicholas League (Liga São Nicolau) em 1899. A revista passou a solicitar contos, poemas, desenhos, exercícios de caligrafia, cópias de textos, traduções e fotografias, além dos jogos de palavras, que concorriam em duas categorias: criação e solução. Até para a divisa da própria Liga havia prêmios. A imagem abaixo saiu no número de janeiro de 1909. |
Divisa criada por um membro da Liga
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| Veja a redação das regras da Liga, na versão de julho de 1913. |
Regras para a participação na Liga
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Todos os participantes deveriam ter menos de 18 anos e enviar apenas uma contribuição por mês, contando todas as categorias. Essa restrição aponta para um dos fatores que inviabilizariam a reprodução dessa experiência em outras publicações da época, certamente desejosas de obter o mesmo êxito que a St. Nicholas: a complexidade operacional gerada pelo recebimento de milhares de cartas a cada mês, num tempo em que o processo de produção de uma revista era moroso.
Outra regra importante referia-se à possibilidade de plágio: o responsável pela criança ou adolescente deveria certificar-se de que o trabalho era original, de autoria do filho ou protegido. De quando em quando, um caso de plágio recebia divulgação na revista para servir de aviso aos espertinhos entre os leitores. Veja abaixo o pin oficial da liga infanto-juvenil da St. Nicholas. |
O "pin" oficial da Liga
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| A lista de prêmios mostrada abaixo saiu em julho de 1913, mas assemelhava-se às de competições anteriores. Repare no número do torneio: 165. |
Lista de prêmios oferecidos
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Outro complicador na gestão da Liga transparecia na lista acima: o oferecimento de emblemas dourados e prateados aos primeiros lugares de cada categoria, além de prêmios especiais para contribuições de mérito excepcional. Imagine a estrutura interna necessária para administrar esse esquema (recepção, leitura, seleção, montagem e premiação das contribuições), que deveria ser somada à estrutura normal de publicação de uma revista de assuntos gerais.
Mesmo as colaborações não aproveitadas recebiam o reconhecimento da revista por meio do registro dos nomes dos colaboradores. A imagem abaixo refere-se a uma parte da lista de nomes de julho de 1913. |
Lista de nomes de colaboradores
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| Seguindo a política de sinceridade total no relacionamento com as crianças e jovens, estabelecida pelo editor Oliver Optic na revista Our Boys and Girls, na década de 70 daquele século, a St. Nicholas tanto elogiava os bons trabalhos quanto criticava aqueles feitos com desleixo. Isso era feito com o registro dos nomes dos criadores no Roll of Honor (Rol de Honra) ou no Roll of the Reckless (Rol dos Irresponsáveis). |
Elogiando e criticando
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| A exemplo dos clubes de enigmistas formados por incentivo direto dos editores de jogos de palavras, em outras publicações, grupos de membros da Liga passaram a ser criados autonomamente, recebendo o reconhecimento da St. Nicholas. A imagem abaixo, escaneada da edição de novembro de 1908, revela o número total de grupos (chapters) existentes até aquele mês: 1064. |
Grupos de membros da Liga
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| Na próxima página, veja como outra revista da época, a Harper's Round Table (A Távola Redonda da Harper), foi criada a partir de uma seção de jogos, seguindo o mesmo princípio de participação infanto-juvenil da St. Nicholas. |
| Referências |
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Imagem do pin gentilmente cedida por Marie, vendedora do eBay
St. Nicholas: For Girls and Boys, Scribner & Co., Nova Iorque, nov. 1874 - out. 1875 St. Nicholas: For Girls and Boys, Scribner & Co., Nova Iorque, nov. 1875 - out. 1876 St. Nicholas: For Girls and Boys, The Century Co., Nova Iorque, nov. 1883 - abril 1884 St. Nicholas: an Illustrated Magazine for Young Folks, The Century Co., Nova Iorque, nov. 1895 - abr. 1896 St. Nicholas: an Illustrated Magazine for Young Folks, The Century Co., Nova Iorque, nov. 1908 - abr. 1909 St. Nicholas: an Illustrated Magazine for Young Folks, The Century Co., Nova Iorque, jul. - dez. 1913 |
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Páginas iniciais: Roteiro Romanceado | História | Índice
| Ancestrais | A Era de Ouro do Enigmismo
Autor: Sérgio Barcellos Ximenes
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