| História das Palavras Cruzadas |
| A conversa entre Oliver Optic e os jovens enigmistas, na seção de chat (bate-papo) da revista Our Boys and Girls (Nossos Meninos e Meninas). |
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O Nascimento de um Estilo
Endurecer sim, mas sem perder a ternura ¾¾¾¾¾¾ |
| O estilo padrão de conversa entre editor e enigmistas, nas publicações infanto-juvenis norte-americanas do século XIX, foi estabelecido por Oliver Optic (pseudônimo de William T. Adams) nos 8 anos de duração (1867-1875) da revista Our Boys and Girls (Nossos Meninos e Meninas). Direto e incisivo, e ao mesmo tempo afetuoso e paternal, Oliver passava seus recados e comentava a produção dos jovens leitores em uma ou duas páginas de duas colunas de letra miúda, respondendo a mais de uma centena de cartas por número da revista. A seção Our Letter Bag (Nossa Sacola de Cartas) tratava, em sua maior parte, das contribuições relativas à seção de jogos de palavras, a Head Work (Trabalho Mental). |
Ilustração da seção "Head Work"
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| Assim como em muitas outras publicações do gênero, os jogos de palavras eram todos criados pelos jovens leitores. Alguns queriam um pouco mais do que a exposição pública, mas Oliver deixava claro: "Pagamos por praticamente todos os artigos publicados na revista, mas não pelos jogos." Recompensa material, só os prêmios oferecidos vez por outra, como o mostrado abaixo: um livro no valor de um dólar e cinqüenta centavos para o leitor que enviasse a primeira resposta correta de um rébus (jogo em que as dicas da resposta são passadas por desenhos). |
Pagamento não, prêmio talvez
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| Pela quantidade de jogos enviados à revista, parece que os jovens não se importavam muito com a falta de recompensas materiais. Numa comunicação publicada em 2 de abril de 1871, Oliver comenta: "Se fossemos aceitar dez por cento dos bons jogos que nos foram enviados desde a última edição, teríamos material suficiente para preencher a coluna Head Work pelos próximos seis meses." Novamente, em setembro daquele ano: "Espera-se que nossos jovens amigos entendam que não nos é possível inserir sequer todos os bons jogos que nos chegam, sob pena de nossas colunas ficarem entupidas." |
A popularidade da seção de jogos
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O ponto ressaltado acima por Oliver é importante por mostrar que, mesmo numa época em que as comunicações eram precárias, o Correio caro e os filhos muito tolhidos em seus lares, aquelas crianças e jovens conseguiam produzir jogos de palavras em quantidade e qualidade suficiente para que um editor exigente e severo como Oliver reconhecesse não poder inserir na publicação todos os que mereciam essa honra.
Foi justamente esse apego ao único espaço criativo aberto àqueles jovens que garantiu o desenvolvimento dos jogos de cruzamento de palavras, nas décadas finais do século XIX. A reclamação quanto ao excesso de material útil se repetiria em outras publicações lançadas após o final da Our Boys and Girls. Outra comunicação de Oliver aos leitores revela um pouco do processo de produção (o período de cerca de dois meses e meio entre a redação e o lançamento) e do sucesso que Our Boys and Girls fazia entre os "... milhares de meninos e meninas que compram a revista." |
O lento processo de produção
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| Um problema enfrentado por todos os editores das seções de jogos era o plágio. Alguns leitores, para verem seu nome publicado, optavam pela cópia do trabalho alheio, o que exigia um olho de lince e uma memória de elefante por parte dos editores para identificar quando o recurso ilegítimo estava sendo empregado: "Temos a vívida impressão que já vimos o vívido jogo de Capstan em algum lugar. ¾ O jogo de Frank H. P. é de alta qualidade; mas ele honestamente reconhece que não é original; nós costumávamos resolvê-lo cerca de 30 anos atrás." Na segunda imagem: "Não envie antigos anagramas ou, em hipótese alguma, afirme que eles são originais." Na terceira imagem: "John Shiland é bem-vindo, mas seus rébus, não; eles já foram usados." |
Suspeitas de plágio
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| Mais sobre plágio: "Não temos certeza se Ajax está ou não copiando, mas gostaríamos de inquiri-lo por que ele nos envia o jogo Never give up (Nunca desista), sem pressupormos que não é original. Sentimo-nos impelidos a jogar o trabalho na lata de lixo." Na segunda imagem: "Será que G. A. B. não sabe que esta revista é feita com material original, e não copiado? Os versos que ele envia são divertidos, mas ele saberá por que não podemos usá-los." Na última: "Examinamos o acróstico de Pioneer e nos parece ser um velho conhecido." |
Mais suspeitas de plágio
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| As duas imagens abaixo mostram o estilo de Oliver no trato com os jovens enigmistas: "O jogo da diagonal de W. Wimpleton merece um 'A'. ¾ Aceitamos o acróstico duplo de Hugh Morus. ¾ O último jogo de Humpty Dumpty estava tão defeituoso que nem conseguimos decifrá-lo. ¾ Um dos nossos amigos começa sua carta com 'Pego minha caneta com a mão para escrever ... etc.'. Ora, essa é uma informação inútil. Como a carta foi escrita à tinta, é lógico presumir que o autor usou uma caneta; e quanto a pegar com a mão, ora essa!, nós nem por um momento supomos que ele a pegou com o pé!" Na segunda imagem: "Nos rébus de Senserdexter há indícios de um tempo quente de verão: tente novamente quando dias mais frescos chegarem." |
O estilo "Oliver Optic"
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| O incentivo também vinha fácil nas comunicações de Oliver: "Todos os novatos são bem-vindos, portanto P. R. Ice não precisa hesitar" ... "¾ O rébus de Kino é muito peculiar. ¾ Vulcan é 'A'. ¾ Pedler progrediu bastante em sua escrita e no desenho, e essa é a recompensa por seu esforço, mesmo se nem todas as peças de seu trabalho intelectual são publicadas na revista." |
Incentivos e conselhos
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| Referência |
| Our Boys and Girls, Oliver Optic, Lee and Shepard (Publishers), Boston, janeiro a dezembro de 1871 |
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Páginas iniciais: Roteiro Romanceado | História | Índice
| Ancestrais | A Era de Ouro do Enigmismo
Autor: Sérgio Barcellos Ximenes
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