| História das Palavras Cruzadas |
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O artigo A Crossword Hymn to Mut (Um Hino de Palavras Cruzadas para Mut), publicado no anuário científico Journal of Egyptian Archaeology (Revista de Arqueologia Egípcia), em agosto de 1971. |
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Um Hino de Palavras Cruzadas para Mut
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| O terceiro trabalho científico sobre a estela de Paser foi publicado no anuário Journal of Egyptian Archaeology (Revista de Arqueologia Egípcia), em agosto de 1971. De autoria do professor H. M. Stewart, tem 18 páginas e apresenta, pela primeira vez, a tradução das 80 linhas horizontais e 67 linhas verticais ainda visíveis na pedra. Ela foi descoberta em 1817 pelo engenheiro e explorador italiano Giovanni Belzoni, durante escavações na antiga cidade egípcia de Karnak. |
Imagem da capa do "Journal"
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Como seria natural, Belzoni não suspeitou tratar-se de uma inscrição que contivesse cruzamento de hieróglifos. Sua primeira impressão foi que, dada a riqueza de detalhes, a estela poderia facilitar a tarefa de decifração dessa escrita, cujo significado ainda representava um mistério naquela época (Champolion viria a decifrar os hieróglifos na década seguinte, graças ao estudo da Pedra de Roseta).
Em 1820 ou 1821, a pedra foi vendida pelos egípcios ao British Museum (Museu Britânico), onde se encontra até hoje, e no qual recebeu o número de registro 194. Antes da publicação do artigo do professor Stewart, em 1971, poucas linhas do texto haviam sido decifradas, e a estela tinha sido referida apenas nas duas obras anteriormente mencionadas neste trabalho: no artigo Acrostiches et Mots Croisés des Ancients Égyptiens (Acrósticos e Palavras Cruzadas dos Antigos Egípcios), de J. Clère, publicado na revista Chronique d'Égypte, número 25, em janeiro de 1938; e no livro An Ancient Egyptian Crossword Puzzle, (Um Problema de Palavras Cruzadas do Antigo Egito), de Jan Zandee, publicado em 1966. |
Início do artigo do professor Stewart
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O professor Stewart, de posse de manuscritos da época do descobrimento, de fotos oficiais da estela e de cópias precisas dos hieróglifos nela gravados, tornou-se o primeiro arqueólogo a ter acesso a todas as informações necessárias para apreciar o real significado das inscrições. A primeira conclusão dele foi que a altura da pedra é exatamente a que aparece nas fotos, correspondente a 80 linhas horizontais de hieróglifos. Entretanto, teria havido uma perda de material quanto à largura: restam 67 linhas verticais de hieróglifos, das prováveis 80 originalmente gravadas.
Na parte superior da estela aparecem as figuras de 19 divindades em atitude de adoração a Mut. Abaixo do friso que as limita na parte inferior, uma linha de texto revela a chave para a leitura dessa engenhosa criação egípcia: |
A chave da leitura da estela
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| A tradução: " ... ele (provavelmente o deus Amon-Rá) é o grande (deus) que adora essa deusa. Quanto a esta escrita, deve ser lida 3 vezes. Nunca foi vista antes; nunca foi ouvida, desde os tempos desse deus. Está promulgada no templo de Mut, senhora de Ishru, para sempre como Rá, eternamente." Na parte inferior da estela vê-se uma linha com o nome que acabou servindo de batismo ao achado: Paser, justified (Paser, legitimado). E a época da criação foi estabelecida facilmente: o cartucho oficial de Ramsés VI aparece várias vezes no texto da estela, como se pode ver na figura abaixo. |
O cartucho de Ramsés VI
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| Mut, cujo nome significa "mãe", era a contraparte feminina do deus Amon-Rá, o rei dos deuses egípcios. Já "Paser" era um nome comum no Antigo Egito. |
A deusa Mut
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| A existência de uma linha superior ensinando a forma correta de ler as inscrições lembra muito a disposição atual de certos jogos de palavras cruzadas publicados em revistas. Neles, abaixo do título, aparecem algumas linhas instruindo o jogador sobre as características que distinguem aquela cruzada de outras, mais tradicionais. |
Instrução da cruzada moderna
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Instrução da "cruzada" de hieróglifos
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Na "cruzada" de hieróglifos, a parte superior da estela contém uma série de figuras esculpidas que revelam o motivo do trabalho (a louvação à deusa Mut) e servem como uma espécie de título. Segue-se uma linha de hieróglifos que passa instruções sobre a maneira correta de decifrar o enigma. Logo abaixo começa a grade com os quadradinhos que contêm os signos lingüísticos de que se compõe o problema. Como se pode ver pelos exemplos acima, a estrutura geral do trabalho e sua disposição visual são idênticas na cruzada moderna e na "cruzada egípcia", embora essas produções estejam distantes no tempo, uma da outra, 3140 anos.
Repare no título e nas instruções do jogo brasileiro ("Sem Diagonal"). Na estela de Paser, o autor usou os hieróglifos ora como letra, ora como sílaba, ora como palavra. Portanto, também foi ele o criador do jogo de cruzamento de palavras no qual mais de uma letra é utilizada dentro de uma casa. Essas e outras nuanças não foram percebidas pelos arqueólogos que estudaram a estela porque eles não possuíam a experiência necessária, na área dos jogos de palavras, para avaliar todos os aspectos técnicos daquela extraordinária criação lingüística. Na próxima página, leia sobre a polêmica relativa às duas ou três maneiras de se ler o texto da estela e conheça a extraordinária técnica em que se baseou a sua construção. |
| Referências |
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A Crossword Hymn to Mut, H. M. Stewart, The Journal of Egyptian Archaeology, Volume 57, 1971, imagens reproduzidas por cortesia da Egypt Exploration Society Revista "Grande Midas" 23, Coquetel, Ediouro, junho de 2001 |
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Páginas iniciais: Roteiro Romanceado | História | Índice
| Ancestrais | As "Cruzadas" Egípcias
Autor: Sérgio Barcellos Ximenes
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