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O primeiro comentário é obrigatório. Todos aqueles que já criaram uma cruzada sabem como é difícil "abrir" um diagrama ou uma grade, ou seja, cruzar o maior número possível de letras e palavras, deixando poucas casas "mortas" ou fechadas. Esses certamente saberão apreciar e invejar a incrível habilidade e paciência demonstradas pelo anônimo escriba. Na verdade, no trabalho original não existiam casas sem hieróglifos: todas continham um ou mais desses símbolos. Mas, apenas para que você possa avaliar a dificuldade da tarefa, basta saber que nenhum criador moderno conseguiu realizar a proeza de criar um diagrama tão aberto quanto o mostrado acima, usando as letras do nosso alfabeto ¾ mesmo dando-lhe a vantagem de incluir as 11 casas "mortas" (na verdade, casas com hieróglifos apagados pela ação do tempo). Um detalhe a mais: a imagem acima é apenas uma parte do trabalho total, que será mostrado adiante.
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Essa exigência que foi imposta ao escriba (ou que ele mesmo se impôs, não se sabe) não poderia deixar de trazer algumas complicações. Em três trechos do livro An Ancient Egyptian Crossword Puzzle (páginas 9, 38 e 55), o professor Zandee alerta para certas dificuldades de tradução causadas por unusual constructions (combinações não usuais de hieróglifos), mostrando que certos símbolos adequados num sentido (horizontal ou vertical) mostram-se menos apropriados no outro sentido da leitura. E comenta: ... it seems as if the system of the crossword puzzle is the cause of (the) mistake (... parece que o próprio sistema de cruzamento de hieróglifos é a causa do erro).
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Os apreciadores das palavras cruzadas conhecem muito bem a situação acima descrita: o anônimo escriba habilita-se, até agora, como o mais forte candidato a inventor do "cruzadês", aquele vocabulário quase exclusivo das cruzadas que aparece nas respostas devido a certas dificuldades de construção inerentes ao passatempo. O criador acaba optando por algumas palavras de uso raro para não perder um trabalho, no geral, bem-feito. Circunstância que, aliás, é mais uma prova de que o escriba estava realmente criando uma cruzada, já que enfrentou problemas típicos dessa tarefa.
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O professor Zandee também comenta que o escriba demonstra uma preferência por hieróglifos que representam palavras completas, em vez de sílabas ou letras. Mais um exemplo do perfeccionismo do criador (tenha sido ele o próprio escriba ou um redator do texto), já que cada linha ou coluna passou a conter uma longa frase, de construção e cruzamento mais elaborados que a frase curta.
Na próxima página, veja uma foto dessa estela pertencente ao British Museum.
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